Desde os primórdios, a política sempre buscou o bem comum através da ordem, porém essa ordem nem sempre pode ter sido implementada por meios democráticos. Esses outros meios (autoritários) alcançaram justamente o oposto do bem comum. Foram modelos de governo que restringiram suas populações de liberdades políticas e com medidas muitas vezes violentas, causaram medo e insatisfação.
Ao mesmo tempo que não se pode obter o bem comum com esse tipo de ordem radical, também é inviável satisfazer a vontade de todos com governos mais moderados, pois sem essa mínima ordem chegamos ao caos.
A verdade é que o bem comum não será alcançado quando a política criar o tipo de ordem correta pra população, mas quando a população se conscientizar do modo que deve se comportar para o bem da sociedade. Logo, o bem comum para a sociedade implica na ordem.
Miguel Armando Lima Brito - RA00045662
quarta-feira, 29 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Foucault e as atuais formas de poder.
M. Foucault foi um filósofo francês do século XX que estruturou seu pensamento, entre outros, a partir da "vontade de verdade" e "vontade de potência". Neste último está inserido o poder. Ele dizia que em toda instituição há um uso do poder. Este último sempre existe, quando em exercício pleno, assim ultrapassando os limites do Estado.
Foucault cria ainda a ideia de "Poder Disciplinar", no qual estão contidos quatro fatores fundamentais e condicionais: O tempo; o espaço; a vigilância e a produção de um saber. Cada instituição que contenha esse "Poder Disciplinar" corresponde a uma positividade e favorecerá para que a sociedade em questão caminhe para um progresso civilizatório. Neste ponto, isso fica evidenciado a partir de uma escola. Uma aula de política, se for preferível. Aquela aula ocorre em um determinado local e em determinado horário. O líder da classe, dono de autoridade - o professor - vigia como deve manter a sala, se deve investir mais na teoria, se deve soltar uma piada, mudar os exemplos etc., para conseguir uma produção de um saber que é o contido naquela aula. Da mesma forma da escola, temos a missa na igreja que ocorre aos domingos às 10 da manhã, é vigiada pelo padre - dono de autoridade e poder - e produz um saber dito divido. Assim pode o ser com todas as instituições, pois se contêm o "Poder Disciplinar", tem que ter os quatro termos discutidos.
É visado o progresso civilizatório, a partir da positividade. Tem-se que a vida é extremamente mais valorizada, enquanto a morte deixada de lado. Há uma enorme preocupação com o "bem-estar social" atualmente, que pode ser visto em qualquer ponto, estabelecimento ou sociedade. Quanto mais racional for esse povo, maior será o querer de ter um "bem-estar social", sendo a utilização do poder para isso possível, mesmo que este seja um meio para atingir fins próprios - o que seria antiético, como afirma Kant.
Este último autor dizia que uma ação só poderia ser ética se visasse o outro não somente como meio, mas também como fim. Para exemplificar o uso do poder nesse caso antiético, portanto, qual melhor do que os políticos? Para promoção pessoal e adquirir mais poder sendo eleitos, estes ludibriam a sociedade com promessas que visam o bem-estar social já mencionado. As pessoas servem então de meio – o voto nas eleições – para que fins próprios sejam atingidos – ser eleito para algum cargo e aumentar seus poderes e influências.
É a partir de ligações com outros autores – como Kant e Durkheim – e, com estas associações, apresentando exemplos atuais que Foucault continua exercendo grande importância para o pensamento político do mundo.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Marx e as Consequências da Dominação do Homem pelo Homem
O autor da obra O Capital, Karl Marx, expõe pensamentos sobre o que é a História e como ela se apresenta aos homens e evolui.
Para ele, a História é cíclica. É sobre este ponto que fundamenta sua crítica a Hegel. Este último pensa na História como algo linear, um fato que desencadeia outro até alcançar seu fim: O Estado de Direito. Já para Marx, alcançar esse Estado não seria o fim da História, mas daquele ciclo histórico vivenciado até então. Sendo cíclica, ele defende que fatos desencadeiam outros fatos e assim acontecerá sempre. Desta forma, ela é sempre renovada. Esta tem um combustível que faz cada ciclo se completar e com que os primeiros fatos formem outros – caracterizando a evolução dita. Trata-se das lutas de classes.
Este aspecto pode ser evidenciado por pessoas de uma mesma classe ou de classes diferentes, mas toda e qualquer luta tem como fim conquistar mais e mais poder, angariando influências e riquezas. Desta maneira é que ocorre a passagem de um modo de produção para outro, necessariamente.
É tomado, por exemplo, para posterior demonstração dos aspectos que fizeram obrigatória a luta entra casses a Revolução Francesa de 1789. A Coroa francesa detinha um alto padrão de vida, enquanto que o restante vivia miseravelmente, em sua maioria. A pressão foi tamanha que, a partir dos escritos dos Iluministas como Rousseau ou Voltaire, foi travada a revolução mais conhecida do século XVIII.. Mas por quê?
A questão é que a fome era tamanha, a diferença de riquezas era tão expressiva que o povo se revoltou, não admitia mais ser usado tão diretamente. Eis então os primeiros impactos de tal exploração: a diferença social cada vez maior e a possível revolta por parte da classe dominada. Essa última se torna cada vez mais distante e rara, pois de acordo com que os anos passam o capitalismo se adequa ao modo de vida e às ações humanas, isto é, cria mecanismos para que ao mesmo tempo a população dominada seja cada vez mais dominada, mas que a mesma não reclame de ficar neste estado.. Assim surgiram os vales-transportes, os 13º, as folgas aos domingos, os limites de horas trabalhadas e as férias. Somos constantemente bombardeados pelas inovações tecnológicas. A cada minuto um novo produto é lançado ao mercado, substituindo um outro, muitas vezes lançado, com apenas alguns meses de antecedência. São celulares, câmeras, carros, computadores e todos os tipos de iCoisas imagináveis. Junto com os produtos, a propaganda cria um desejo, uma necessidade de consumo.
Essa mesma tecnologia que permite, a uns poucos, ter mais conforto, comodidade e luxo, garante que os trabalhadores sejam ainda mais explorados, na medida que o número de horas trabalhadas permanece a mesma, a quantidade de mercadorias produzidas aumenta - já que o tempo de produção diminui com o emprego de máquinas mais avançadas - mas o salário permanece o mesmo. É nessas horas a mais em que o trabalhador produz que se esconde parte do lucro dos proprietários dos meios de produção. Com a divisão das funções no processo produtivo, o trabalhador já não percebe esse processo como um todo, se afastando ainda mais daquilo que ele mesmo produz, deixando de se perceber como produtor e passando a ser um mero consumidor. É esta a alienação para Marx.
A manutenção dessa alienação se faz, por um lado, através da garantia de uma condição mínima de sobrevivência aos explorados, mantendo-os assim satisfeitos com o pouco que tem e alheios à realidade marcada pela desigualdade . A manipulação da cultura apresenta-se como um segundo instrumento mantenedor dessa alienação, ao colocar nos momentos em que o homem poderia refletir sobre a sua situação de exploração e de desigualdade, modelos de vida que devem ser seguidos e que se fazem desejados.
Mantém-se assim um sistema de exploração do homem pelo homem e suas implicações não se reduzem a uma diferença entre os que trabalham e os que exploram. A miséria e a fome dos muitos que alimentam o desperdício de poucos, os regimes de servidão que ainda hoje permanecem, mesmo quando a escravidão é moralmente e civilmente condenada, a falta de reflexão do homem sobre sua própria condição de vida e das ações que poderiam ser tomadas para mudar esta situação, se mostram diariamente, como exemplos vivos de como o homem é seu próprio carrasco.
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