quarta-feira, 29 de junho de 2011

Para a política, o bem comum é a ordem?

Desde os primórdios, a política sempre buscou o bem comum através da ordem, porém essa ordem nem sempre pode ter sido implementada por meios democráticos. Esses outros meios (autoritários) alcançaram justamente o oposto do bem comum. Foram modelos de governo que restringiram suas populações de liberdades políticas e com medidas muitas vezes violentas, causaram medo e insatisfação.
Ao mesmo tempo que não se pode obter o bem comum com esse tipo de ordem radical, também é inviável satisfazer a vontade de todos com governos mais moderados, pois sem essa mínima ordem chegamos ao caos.
A verdade é que o bem comum não será alcançado quando a política criar o tipo de ordem correta pra população, mas quando a população se conscientizar do modo que deve se comportar para o bem da sociedade. Logo, o bem comum para a sociedade implica na ordem.

Miguel Armando Lima Brito - RA00045662

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Foucault e as atuais formas de poder.

M. Foucault foi um filósofo francês do século XX que estruturou seu pensamento, entre outros, a partir da "vontade de verdade" e "vontade de potência". Neste último está inserido o poder. Ele dizia que em toda instituição há um uso do poder. Este último sempre existe, quando em exercício pleno, assim ultrapassando os limites do Estado.
Os poderes nascem das micro-relações, são processos paulatinos que auxiliam a formar os Estados. Esse é a instituição central, na qual as demais - religiões, escolas, trabalho, bancos, etc. - giram em torno. Um exemplo dessa questão é a retratada na trilogia "The God Father". Aqui, este exemplo ajudará a demonstrar a formação de cidades e de núcleos, a partir da constituição de associações - as máfias. No filme, um menino italiano chega aos Estados Unidos da América sem nada, se faz homem a partir do seu intenso trabalho, se casa e tem seus filhos. Vito Corleone - o protagonista italiano - então inicia a fazer favores às pessoas próximas a ele. Estas últimas juram lealdade e prometem auxiliar "Dom Vito" quando este precisar. Eis então as micro-relações que Foucault faz menção. Quanto mais influente e maior vai ficando a rede de leais ao chefe Corleone, ou seja, quanto maior essa rede de micro relações, maior o poder dele. Constituída a máfia, composta pelas ditas "Cinco Famílias", esta move a economia da região, as importações e exportações de diversos produtos, gera monopólios para as famílias mafiosas e mantem a sociedade sobre controle, a medida que está se inferioriza aos chefes da máfia. Durkheim - pensador francês de 1858 até 1917  - diz que o Estado gosta da ordem, pois assim se sustenta. Disto, tem-se que a inferioridade da sociedade produz uma ordem, que facilita a sustentação e o crescimento do Estado.
Outro exemplo é o de grandes empresas do mundo atual. Extremamente hierarquizadas, lucram muito e pagam pouco aos seus funcionários - relativamente ao valor que é ganho. Disto gera-se duas consequências: a primeira é que o dono da empresa ou seu representante contém poder sobre as condições de vida de seus funcionários. Se os trabalhadores reclamarem de seus salários ou coisa parecida, o dono pode simplesmente dizer que há muitos outros desempregados que fariam muito mais por muito menos. Outra consequência é que da mesma forma que há o poder, Foucault diz haver o contra-poder, que seria representada pela resistência e, no caso, pela greve dos trabalhadores. Trata-se de ir contra o poder unitário e grande.
Foucault cria ainda a ideia de "Poder Disciplinar", no qual estão contidos quatro fatores fundamentais e condicionais: O tempo; o espaço; a vigilância e a produção de um saber. Cada instituição que contenha esse "Poder Disciplinar" corresponde a uma positividade e favorecerá para que a sociedade em questão caminhe para um progresso civilizatório. Neste ponto, isso fica evidenciado a partir de uma escola. Uma aula de política, se for preferível. Aquela aula ocorre em um determinado local e em determinado horário. O líder da classe, dono de autoridade - o professor - vigia como deve manter a sala, se deve investir mais na teoria, se deve soltar uma piada, mudar os exemplos etc., para conseguir uma produção de um saber que é o contido naquela aula. Da mesma forma da escola, temos a missa na igreja que ocorre aos domingos às 10 da manhã, é vigiada pelo padre - dono de autoridade e poder - e produz um saber dito divido. Assim pode o ser com todas as instituições, pois se contêm o "Poder Disciplinar", tem que ter os quatro termos discutidos.
É visado o progresso civilizatório, a partir da positividade. Tem-se que a vida é extremamente mais valorizada, enquanto a morte deixada de lado. Há uma enorme preocupação com o "bem-estar social" atualmente, que pode ser visto em qualquer ponto, estabelecimento ou sociedade. Quanto mais racional for esse povo, maior será o querer de ter  um "bem-estar social", sendo a utilização do poder para isso possível, mesmo que este seja um meio para atingir fins próprios - o que seria antiético, como afirma Kant.
Este último autor dizia que uma ação só poderia ser ética se visasse o outro não somente como meio, mas também como fim. Para exemplificar o uso do poder nesse caso antiético, portanto, qual melhor do que os políticos? Para promoção pessoal e adquirir mais poder sendo eleitos, estes ludibriam a sociedade com promessas que visam o bem-estar social já mencionado. As pessoas servem então de meio – o voto nas eleições – para que fins próprios sejam atingidos – ser eleito para algum cargo e aumentar seus poderes e influências.
É a partir de ligações com outros autores – como Kant e Durkheim – e, com estas associações, apresentando exemplos atuais que Foucault continua exercendo grande importância para o pensamento político do mundo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Marx e as Consequências da Dominação do Homem pelo Homem

  O autor da obra O Capital, Karl Marx, expõe pensamentos sobre o que é a História e como ela se apresenta aos homens e evolui. 
Para ele, a História é cíclica. É sobre este ponto que fundamenta sua crítica a Hegel. Este último pensa na História como algo linear, um fato que desencadeia outro até alcançar seu fim: O Estado de Direito. Já para Marx, alcançar esse Estado não seria o fim da História, mas daquele ciclo histórico vivenciado até então. Sendo cíclica, ele defende que fatos desencadeiam outros fatos e assim acontecerá sempre. Desta forma, ela é sempre renovada. Esta tem um combustível que faz cada ciclo se completar e com que os primeiros fatos formem outros – caracterizando a evolução dita. Trata-se das lutas de classes. 
Este aspecto pode ser evidenciado por pessoas de uma mesma classe ou de classes diferentes, mas toda e qualquer luta tem como fim conquistar mais e mais poder, angariando influências e riquezas. Desta maneira é que ocorre a passagem de um modo de produção para outro, necessariamente. 
  É tomado, por exemplo, para posterior demonstração dos aspectos que fizeram obrigatória a luta entra casses a Revolução Francesa de 1789. A Coroa francesa detinha um alto padrão de vida, enquanto que o restante vivia miseravelmente, em sua maioria. A pressão foi tamanha que, a partir dos escritos dos Iluministas como Rousseau ou Voltaire, foi travada a revolução mais conhecida do século XVIII.. Mas por quê?
  A questão é que a fome era tamanha, a diferença de riquezas era tão expressiva que o povo se revoltou, não admitia mais ser usado tão diretamente. Eis então os primeiros impactos de tal exploração: a diferença social cada vez maior e a possível revolta por parte da classe dominada. Essa última se torna cada vez mais distante e rara, pois de acordo com que os anos passam o capitalismo se adequa ao modo de vida e às ações humanas, isto é, cria mecanismos para que ao mesmo tempo a população dominada seja cada vez mais dominada, mas que a mesma não reclame de ficar neste estado.. Assim surgiram os vales-transportes, os 13º, as folgas aos domingos, os limites de horas trabalhadas e as férias. 
  Somos constantemente bombardeados pelas inovações tecnológicas. A cada minuto um novo produto é lançado ao mercado, substituindo um outro, muitas vezes lançado, com apenas alguns meses de antecedência. São celulares, câmeras, carros, computadores e todos os tipos de iCoisas imagináveis. Junto com os produtos, a propaganda cria um desejo, uma necessidade de consumo.
  Essa mesma tecnologia que permite, a uns poucos, ter mais conforto, comodidade e luxo, garante que os trabalhadores sejam ainda mais explorados, na medida que o número de horas trabalhadas permanece a mesma, a quantidade de mercadorias produzidas aumenta - já que o tempo de produção diminui com o emprego de máquinas mais avançadas - mas o salário permanece o mesmo. É nessas horas a mais em que o trabalhador produz que se esconde parte do lucro dos proprietários dos meios de produção. Com a divisão das funções no processo produtivo, o trabalhador já não percebe esse processo como um todo, se afastando ainda mais daquilo que ele mesmo produz, deixando de se perceber como produtor e passando a ser um mero consumidor. É esta a alienação para Marx.
  A manutenção dessa alienação se faz, por um lado, através da garantia de uma condição mínima de sobrevivência aos explorados, mantendo-os assim satisfeitos com o pouco que tem e alheios à realidade marcada pela desigualdade . A manipulação da cultura apresenta-se como um segundo instrumento mantenedor dessa alienação, ao colocar nos momentos em que  o homem poderia refletir sobre a sua situação de exploração e de desigualdade, modelos de vida que devem ser seguidos e que se fazem desejados.
  Mantém-se assim um sistema de exploração do homem pelo homem e suas implicações não se reduzem a uma diferença entre os que trabalham e os que exploram. A miséria e a fome dos muitos que alimentam o desperdício de poucos, os regimes de servidão que ainda hoje permanecem, mesmo quando a escravidão é moralmente e civilmente condenada, a falta de reflexão do homem sobre sua própria condição de vida e das ações que poderiam ser tomadas para mudar esta situação, se mostram diariamente, como exemplos vivos de como o homem é seu próprio carrasco.