O autor da obra O Capital, Karl Marx, expõe pensamentos sobre o que é a História e como ela se apresenta aos homens e evolui.
Para ele, a História é cíclica. É sobre este ponto que fundamenta sua crítica a Hegel. Este último pensa na História como algo linear, um fato que desencadeia outro até alcançar seu fim: O Estado de Direito. Já para Marx, alcançar esse Estado não seria o fim da História, mas daquele ciclo histórico vivenciado até então. Sendo cíclica, ele defende que fatos desencadeiam outros fatos e assim acontecerá sempre. Desta forma, ela é sempre renovada. Esta tem um combustível que faz cada ciclo se completar e com que os primeiros fatos formem outros – caracterizando a evolução dita. Trata-se das lutas de classes.
Este aspecto pode ser evidenciado por pessoas de uma mesma classe ou de classes diferentes, mas toda e qualquer luta tem como fim conquistar mais e mais poder, angariando influências e riquezas. Desta maneira é que ocorre a passagem de um modo de produção para outro, necessariamente.
É tomado, por exemplo, para posterior demonstração dos aspectos que fizeram obrigatória a luta entra casses a Revolução Francesa de 1789. A Coroa francesa detinha um alto padrão de vida, enquanto que o restante vivia miseravelmente, em sua maioria. A pressão foi tamanha que, a partir dos escritos dos Iluministas como Rousseau ou Voltaire, foi travada a revolução mais conhecida do século XVIII.. Mas por quê?
A questão é que a fome era tamanha, a diferença de riquezas era tão expressiva que o povo se revoltou, não admitia mais ser usado tão diretamente. Eis então os primeiros impactos de tal exploração: a diferença social cada vez maior e a possível revolta por parte da classe dominada. Essa última se torna cada vez mais distante e rara, pois de acordo com que os anos passam o capitalismo se adequa ao modo de vida e às ações humanas, isto é, cria mecanismos para que ao mesmo tempo a população dominada seja cada vez mais dominada, mas que a mesma não reclame de ficar neste estado.. Assim surgiram os vales-transportes, os 13º, as folgas aos domingos, os limites de horas trabalhadas e as férias. Somos constantemente bombardeados pelas inovações tecnológicas. A cada minuto um novo produto é lançado ao mercado, substituindo um outro, muitas vezes lançado, com apenas alguns meses de antecedência. São celulares, câmeras, carros, computadores e todos os tipos de iCoisas imagináveis. Junto com os produtos, a propaganda cria um desejo, uma necessidade de consumo.
Essa mesma tecnologia que permite, a uns poucos, ter mais conforto, comodidade e luxo, garante que os trabalhadores sejam ainda mais explorados, na medida que o número de horas trabalhadas permanece a mesma, a quantidade de mercadorias produzidas aumenta - já que o tempo de produção diminui com o emprego de máquinas mais avançadas - mas o salário permanece o mesmo. É nessas horas a mais em que o trabalhador produz que se esconde parte do lucro dos proprietários dos meios de produção. Com a divisão das funções no processo produtivo, o trabalhador já não percebe esse processo como um todo, se afastando ainda mais daquilo que ele mesmo produz, deixando de se perceber como produtor e passando a ser um mero consumidor. É esta a alienação para Marx.
A manutenção dessa alienação se faz, por um lado, através da garantia de uma condição mínima de sobrevivência aos explorados, mantendo-os assim satisfeitos com o pouco que tem e alheios à realidade marcada pela desigualdade . A manipulação da cultura apresenta-se como um segundo instrumento mantenedor dessa alienação, ao colocar nos momentos em que o homem poderia refletir sobre a sua situação de exploração e de desigualdade, modelos de vida que devem ser seguidos e que se fazem desejados.
Mantém-se assim um sistema de exploração do homem pelo homem e suas implicações não se reduzem a uma diferença entre os que trabalham e os que exploram. A miséria e a fome dos muitos que alimentam o desperdício de poucos, os regimes de servidão que ainda hoje permanecem, mesmo quando a escravidão é moralmente e civilmente condenada, a falta de reflexão do homem sobre sua própria condição de vida e das ações que poderiam ser tomadas para mudar esta situação, se mostram diariamente, como exemplos vivos de como o homem é seu próprio carrasco.
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