quinta-feira, 23 de junho de 2011

Foucault e as atuais formas de poder.

M. Foucault foi um filósofo francês do século XX que estruturou seu pensamento, entre outros, a partir da "vontade de verdade" e "vontade de potência". Neste último está inserido o poder. Ele dizia que em toda instituição há um uso do poder. Este último sempre existe, quando em exercício pleno, assim ultrapassando os limites do Estado.
Os poderes nascem das micro-relações, são processos paulatinos que auxiliam a formar os Estados. Esse é a instituição central, na qual as demais - religiões, escolas, trabalho, bancos, etc. - giram em torno. Um exemplo dessa questão é a retratada na trilogia "The God Father". Aqui, este exemplo ajudará a demonstrar a formação de cidades e de núcleos, a partir da constituição de associações - as máfias. No filme, um menino italiano chega aos Estados Unidos da América sem nada, se faz homem a partir do seu intenso trabalho, se casa e tem seus filhos. Vito Corleone - o protagonista italiano - então inicia a fazer favores às pessoas próximas a ele. Estas últimas juram lealdade e prometem auxiliar "Dom Vito" quando este precisar. Eis então as micro-relações que Foucault faz menção. Quanto mais influente e maior vai ficando a rede de leais ao chefe Corleone, ou seja, quanto maior essa rede de micro relações, maior o poder dele. Constituída a máfia, composta pelas ditas "Cinco Famílias", esta move a economia da região, as importações e exportações de diversos produtos, gera monopólios para as famílias mafiosas e mantem a sociedade sobre controle, a medida que está se inferioriza aos chefes da máfia. Durkheim - pensador francês de 1858 até 1917  - diz que o Estado gosta da ordem, pois assim se sustenta. Disto, tem-se que a inferioridade da sociedade produz uma ordem, que facilita a sustentação e o crescimento do Estado.
Outro exemplo é o de grandes empresas do mundo atual. Extremamente hierarquizadas, lucram muito e pagam pouco aos seus funcionários - relativamente ao valor que é ganho. Disto gera-se duas consequências: a primeira é que o dono da empresa ou seu representante contém poder sobre as condições de vida de seus funcionários. Se os trabalhadores reclamarem de seus salários ou coisa parecida, o dono pode simplesmente dizer que há muitos outros desempregados que fariam muito mais por muito menos. Outra consequência é que da mesma forma que há o poder, Foucault diz haver o contra-poder, que seria representada pela resistência e, no caso, pela greve dos trabalhadores. Trata-se de ir contra o poder unitário e grande.
Foucault cria ainda a ideia de "Poder Disciplinar", no qual estão contidos quatro fatores fundamentais e condicionais: O tempo; o espaço; a vigilância e a produção de um saber. Cada instituição que contenha esse "Poder Disciplinar" corresponde a uma positividade e favorecerá para que a sociedade em questão caminhe para um progresso civilizatório. Neste ponto, isso fica evidenciado a partir de uma escola. Uma aula de política, se for preferível. Aquela aula ocorre em um determinado local e em determinado horário. O líder da classe, dono de autoridade - o professor - vigia como deve manter a sala, se deve investir mais na teoria, se deve soltar uma piada, mudar os exemplos etc., para conseguir uma produção de um saber que é o contido naquela aula. Da mesma forma da escola, temos a missa na igreja que ocorre aos domingos às 10 da manhã, é vigiada pelo padre - dono de autoridade e poder - e produz um saber dito divido. Assim pode o ser com todas as instituições, pois se contêm o "Poder Disciplinar", tem que ter os quatro termos discutidos.
É visado o progresso civilizatório, a partir da positividade. Tem-se que a vida é extremamente mais valorizada, enquanto a morte deixada de lado. Há uma enorme preocupação com o "bem-estar social" atualmente, que pode ser visto em qualquer ponto, estabelecimento ou sociedade. Quanto mais racional for esse povo, maior será o querer de ter  um "bem-estar social", sendo a utilização do poder para isso possível, mesmo que este seja um meio para atingir fins próprios - o que seria antiético, como afirma Kant.
Este último autor dizia que uma ação só poderia ser ética se visasse o outro não somente como meio, mas também como fim. Para exemplificar o uso do poder nesse caso antiético, portanto, qual melhor do que os políticos? Para promoção pessoal e adquirir mais poder sendo eleitos, estes ludibriam a sociedade com promessas que visam o bem-estar social já mencionado. As pessoas servem então de meio – o voto nas eleições – para que fins próprios sejam atingidos – ser eleito para algum cargo e aumentar seus poderes e influências.
É a partir de ligações com outros autores – como Kant e Durkheim – e, com estas associações, apresentando exemplos atuais que Foucault continua exercendo grande importância para o pensamento político do mundo.

2 comentários:

  1. Acho importante considerar, inicialmente, que a vontade de verdade e a vontade de potência sob as quais Foucault estruturou seu pensamento têm suas origens, na realidade, no pensamento de Nietzsche. Foucault, na realidade, costumava fazer menção a esses termos como simplesmente, saber e poder. Dito isto, ressalto que o exemplo do filme foi, realmente, um ótimo jeito de nos fazer visualizar as redes microfísicas do poder. No entanto, tratando delas, creio que faltou tratar do fato de que elas docilizaram o homem, o que facilitou para o Estado governar. Ademais, penso que como vocês fizeram diversas comparações seria interessante que tivessem proposto também uma comparação com Hobbes, pois assim, poderiam trabalhar em cima de um dos tabus lidados por Foucault, a morte. Sabe-se que Hobbes e Foucault propõem premissas opostas quanto a esse tabu. Tendo em vista o Estado, o primeiro propõe a premissa: fazer morrer, deixar viver; enquanto o segundo propõe a oposta: fazer viver, deixar morrer. Considero que, trabalhando sobre essa oposição poderia ter-se entrado em outros temas, como a biopolítica, muito interessantes no pensamento de Fucault.

    Amanda Fernandes Heleno

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  2. Acredito ser válido as duas analogia feitas pelo grupo, representando as micro-relaçoes de poder, as quais são divididas em uma rede microfísica, de modo que alem do Estado existem outras formas de poder, conceituadas por M.Foucalt a partir de exemplos como: o filme "The God Father", o qual em minha opinião poderia ser tambem, coligado com o conceito hobbesiano de soberania, eficaz e boa em determinado período e espaço histórico, no qual Foucalt usufruirá para construção de seus demais conceitos;o outro exemplo dado pelo grupo foi o das grandes empresas, relacionando na relação entre o dono da propriedade e o proletario. Deste modo acredito que o conceito depoder disciplinar abordado conceitualmente correto,pelo grupo poderia tem dado mais ênfase coligando-se aos proprios exemplos., digo, não na questão do progresso civilizatório, mas nos conteúdos de tempo, espaço, saber e vigilância, anexado com os próprios exemplos dados, considerar que essas relaçoes de poder se baseiam em um período e um lugar específico, com a atuação do soberano observando os seus submissos e a partir dessa vigilância aprender com elas e exercer seus poderes de melhor forma, por exemplos: encaixar esses conceitos na soberania de "Dom vito" ou mesmo do dono da grande empresa.
    Por fim acredito que o tema situado foi bem abordado, sem mais.

    Rodrigo Amaral
    RA00099690

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